Na Vida

Na Vida #2 – Uma braçada de cada vez

Na Vida #2

Fim da contagem regressiva! Pra muitos, as sete ondinhas foram puladas. Pra mim, já passou o show da virada enquanto eu cuidava do cãozinho que sofria com o barulho dos fogos. Mais um ano começou e, junto com ele, algumas mudanças – de hábitos, de postura, nas relações, na configuração dos móveis da sala, e assim por diante. Entre as novidades desse primeiro mês de 2017, eu destaco o início das minhas aulas de natação. Junto com a Tássia, amiga com quem trabalho, me matriculei no curso de práticas aquáticas do Sesc Vila mariana no finzinho de 2016. Na água, ela diz que se vira. Na água, eu ainda não consigo nem boiar. Tem sido, entretanto, bem estimulante o desafio de aprender a fazer algo de novo. Ao contrário de 80% das crianças da minha geração, não fiz natação durante a infância. Como disse um colega, fui uma criança branca nem tão branca assim. Mas cada aula tem sido uma vitória. Cada avanço tem um gostinho de conquista. E, no final, era disso que eu precisava nesse despontar de 2017: a sensação de que eu estava começando algo do zero. Uma braçada de cada vez!

>> Como vai ser de costume, a primeira parte do resumo do mês será dedicada a indicação de discos. E, dessa vez, três álbuns ganharam meu coração (leia-se spotify). Apesar de janeiro já chegar chegando, com grandes lançamentos, como o “I See You”, do The xx, minha lista tríplice é composta basicamente por registros do ano passado. O primeiro deles é “Oferta”, o que não tem nada a ver com liquidação de estoques do Natal. O disco é o primeiro trabalho da dupla espanhola Las Bistecs, minhas velhas conhecidas da internet. O vídeo de “Historia del Arte”, produzido já alguns anos, é a prova de que a rede mundial de computadores é a obra prima da humanidade. Na faixa, as parceiras fazem uma espécie de resumo de séculos e séculos de produção artística, dos gregos à Dona Cecília e seu “Ecce homo” restaurado. O tom de deboche permanece ao longo de todas as outras 13 canções. Tudo embalado por um eletropop descrito pela dupla como “eletrodisgusting”. Minha religião! Outro campeão de execuções foi “Skyscraper Anonymous”, do Young Bae, disco que descobri em uma lista de piores capas de 2016. A imagem, de fato, é controversa. Mas a vibe do disco compensa o fato dele ser embalado na foto de um flamingo inflável paparicado por um prato de frutas frescas. E eu digo “vibe” justamente porque não consigo escolher apenas uma música entre as 12 composições do álbum. Sempre o ouço inteiro – tarefa facilitada pelos seus 26 minutos de duração – e fico me imaginando em uma pool party na Califórnia dos anos 70. Por último, mas de forma alguma menos importante, tem o EP “Durt”, da RAY BLK, vencedora do Sound of 2017 da BBC sobre quem escrevi para o Medium do blog. Considerada a Lauryn Hill do Reino Unido, RAY me conquistou com as suas melodias suingada preenchidas com versos de pura autoconfiança. Simplesmente amo “Chill Out”, “Gone”, “Hunny”, “My Hood” e a faixa título “Durt”.

Discos - Na Vida #2

Oferta, de Las Bistecs, Skyscraper Anonymous, do Young Bae, e Durt, da RAY BLK

 

>> No campo das telonas, tô conseguindo cumprir a promessa de frequentar mais o cinema. Este mês, assisti, novamente com as roomies, à “Animais Noturnos”, do Tom Ford, e ao todo poderoso “La La Land”. Bem, vamos lá! “Animais Noturnos” é um filme muito bonito – tanto estética quanto narrativamente. Esse é o segundo longa de Ford, que mais uma vez consegue transpor do universo da moda uma certa sensação de vazio e decadência. O filme mostra a perspectiva de Susan, interpretada por Amy Adams, uma curadora de arte que é colocada frente a frente com as escolhas da vida quando recebe o original de um livro escrito pelo ex-namorado. Não sei se é o tipo de filme que todo mundo pode se identificar, mas eu achei a história muito boa e bem contada. Assiste sim, vai!

Sabe o que eu vi também? Isso mesmo, “La La Land”, o filme que todo mundo viu, o longa que todo prêmio indicou. Pra ficar longe das polêmicas, não quero emitir uma opinião tão extrema sobre o filme. Fui sem tentar esperar nada porque musicais definitivamente não são para mim. Mas me diverti, gostei das músicas e curti a quebra de expectativa do final. Não chega a ser o filme que vai salvar a sétima arte, mas é bem bom, sim.

Ainda fui com o irmão e o primo ver “Resident Evil: O Capítulo Final” e, bem, acho que a gente não precisa falar sobre isso…

Do Netflix, vi um filme que todo fã de música deveria assistir. Quem me deu a dica de “Sing Street” foi o jornalista Alexandre Matias, do Trabalho Sujo. O enredo se passa em Dublin, na Irlanda, durante um período de recessão nos anos 80. A crise fez a família de Connor transferi-lo de uma escola particular para uma pública, onde ele logo enfrenta problemas para se adaptar. Na saída da aula, ele topa com Raphina, uma jovem misteriosa e atraente pela qual ele decide montar uma banda. A partir daí, o filme é uma viagem pelo comportamento, pelo som e pela inspiração de bandas como Duran Duran, Genesis e The Cure.

Filmes - Na Vida #2

>> O final de semana do dia 14 serviu para que eu tivesse uma experiência da vida em bairro. Moro oficialmente na Aclimação, em São Paulo. Mas como fica na Rua Vergueiro, é possível chegar do meu prédio à Paulista, à Bela Vista e à Liberdade em pouquíssimos minutos de caminhada. Naquele domingo, a Naína, minha roomie, e eu decidimos explorar a região da Vila Mariana. Dormimos até acordar (amo esse conceito porque ele parece tão óbvio), o que deu por volta das 10h. Não tomamos café da manhã, pois a ideia era fazer um brunch na Beth Bakery, um dos meus lugares preferidos na cidade. Sério, se você não conhece, já separa uma data para corrigir essa falha no caráter. A Beth Bakery é uma padaria artesanal que fica próximo ao metrô Ana Rosa, na Rua Paula Ney. Além do cardápio de brunch, oferecido geralmente aos finais de semana, a lojinha tem um site onde vende as fornadas mais fresquinhas de baguetes, cookies e outras delícias. Não deixe de provar o gravlax, um sanduíche  de salmão defumado no pão de brioche. Chega a manteiga derrete… Quer mais um motivo para conhecer a padaria? É onde trabalha a Marina Albano, uma das amigas mais queridas e das cozinheiras mais talentosas que eu conheço. Passa lá ;D

Da Beth fomos ao Sesc Vila Mariana, porque agora eu não perco uma chance de cair na água. Chegamos lá por volta das 13h e precisávamos esperar até 14h15 para que a Naína pudesse fazer o exame dermatológico para entrar na piscina. Quase desistimos da natação porque o atendimento atrasou um pouquinho, mas perto das 15h30 já disputávamos um espaço na piscina lotada de pais e crianças empolgadas com as temperaturas do verão. Comemos por lá mesmo porque ir ao Sesc e pular a Comedoria é amadorismo. Não contentes com a refeição farta e barata, passamos, na volta, em uma lojinha que eu sempre tive vontade de conhecer. Do lado de fora, o Bolos do Frei, que fica na Conselheiro Rodrigues Alves, já parece a casa da vó. Dentro, a impressão de um ambiente agradável e aconchegante se confirma, principalmente quando encontramos a vitrine de bolos disponíveis no cardápio. Eu escolhi uma cuca de blueberry, a Naína um pedaço do de limão, e não nos demoramos muito por lá. Saí, no entanto, querendo marcar altos chás da cinco junto com as amigas que, como eu, escondem seus 87 anos num corpinho de 20 e poucos. Voltamos pra casa muito cansados, porque fizemos tudo isso a pé, mas também com aquela satisfação de “eu amo minha vizinhança!”.

Beth Bakery - Na Vida #2

>> No dia 20, acordei cedinho para perder o sinal da internet. Cada vez que eu vou para Ibiúna, no interior de São Paulo, é uma escolha por um tempo comigo mesmo. Fico no sítio de um tio na zona rural, sem acesso a nenhum tipo de conexão e também sem muito roteiro para acompanhar. Dessa vez, fui encontrar o meu pai – que voltou de vez do Paraná – e meu irmão, que está de férias por aqui. Com direito a carro atolado, tênis cheio de lama e dois dias de chuvas ininterruptas, me dediquei a ler (terminei “Cem anos de solidão”), ver filme, jogar videogame, observar os animais e escrever este texto. Ah, como sempre, aproveitei para utilizar a minha câmera, que fica encostada na maior parte do tempo aqui em São Paulo.

Ibiuna - Na Vida #2

Ibiúna e todos seus personagens <3

>> Como tem sido de costume, é normal eu fazer quinhentos planos para um dia de folga e não realizar nem dois terços deles. Foi assim no feriado do aniversário de São Paulo, uma quarta-feira, quando eu planejei participar de uma palestra sobre a história do vinil no Sesc e ir à Calefação – uma festa regada a brasilidades – na Praça das Artes e, pasmem, não fui a nenhuma das duas. Ou quase. A parte boa é que, de última hora, meus amigos e eu decidimos conhecer uma hamburgueria não muito longe da minha casa: a Taverna Medieval. A proposta do lugar é fazer a gente se sentir como se estivesse em um episódio de Game of Thrones ou O Senhor dos Aneis. Tanto que os garçons e garçonetes se vestem a caráter e toda a decoração remete a temas medievais. No começo eu senti muita vontade de rir – desculpa – e fiquei um pouco incomodado com pessoas me chamando de “milorde”. Mas a comida é tão boa que eu consegui abstrair a parte lúdica da experiência e focar na questão da fome. De lá, ainda consegui pegar um Uber e aparecer no finzinho da Calefação. Como eu havia acabado de chegar, meu amigo e eu fomos para outra festa de música eletrônica que estava acontecendo embaixo do Viaduto do Chá. Aquela famosa “fritadinha” antes de acordar para o trabalho!

Taverna Medieval - Na Vida #2

Marina, Ciscati, Bia e eu na Taverna Medieval

>> E falando em aniversário, o último compromisso do mês foi a comemoração dos 27 anos da Babi. Para quem não sabe, as festas da Bárbara são sempre um piquenique em algum espaço público da cidade, salvo algumas poucas exceções. Já aconteceu no Parque da Juventude, no Parque da Aclimação, da Serra da Cantareira e dessa vez ficou marcado para o jardim do Centro Cultural São Paulo. Estaria tudo certo se não começasse a chover e não tivéssemos que correr para uma cobertura como se fôssemos ambulantes fugindo da fiscalização da prefeitura. Mas depois disso, só consigo me lembrar de uma tarde bem gostosa com vários amigos, desconhecidos dançando e gravando videoclipes e um brownie de chocolate que parece ter sido feito pelas mãos do próprio deus – cê arrasou muito, Laurinha! Ah, fiquei ainda responsável pelas fotos do encontro!

Babi - Na Vida #2

Parabéns, Babi!

Então, foi isso! Ano novo, coisas começando a se encaixar e uma cidade onde não para de chover. Felizmente, chegamos em fevereiro – o mês café com leite – e já é possível sentir toda a brisa quente misturada com glitter que dá o tom dessas quatro semanas. Cadê o carnaval?

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