Na Vida

Na vida #1 – Todo ano começa com um final

na vida like a rock

Se 2016 foi um ano que deu uma abalada na vida de todo mundo, o mês de dezembro se passou como se eu tivesse vivido uma vida inteira. Nos meses anteriores, aconteceram tantas e tantas coisas que, quando chegou no final, tudo o que eu queria era entrar no meu quarto, trancar a porta e dormir por 30 dias seguidos – ignorando, ainda, o fato de que a minha janela não tinha cortina. Ao contrário das minhas expectativas, em nenhum outro mês do ano eu tive TANTOS compromissos. Fiquei cansado? Pois sim! Mas também fiquei bem satisfeito de ter encontrado tantos amigos, conhecido novos lugares e tido vários bons momentos em um ano que foi bem difícil.

Pra começar, vou deixar aqui os dois discos que mais marcaram o meu mês:

 

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Awanken, My Love!, do Childish Gambino, e Boogie Naipe, do Mano Brown

>> Apesar de produzidos por artistas bem diferentes e em contextos diversos, o “Awaken, My Love!”, do Childish Gambino, e o “Boogie Naipe”, do Mano Brown, bebem de uma fonte em comum: a música produzida nos anos 70. Donald Glover, que acabou de receber um globo de ouro pela atuação na série “Atlanta”, não poupou em groove e psicodelia para compor o álbum que entrou na minha listinha pessoal de melhores do ano. Ouçam “Me and Your Mama”, “Redbone”, “Have Some Love”, “Boogieman” e “California”. Do lado de cá da linha do Equador, o líder dos Racionais escolheu a discoteca para embalar a sua primeira incursão solo. Recheado de participações, “Boogie Naipe” me faz imaginar o quão maravilhoso seria viver na época em que o rap e o hip hop nasciam bem no meio da cena disco. Minhas preferidas: “Gangsta Boogie”, “Mulher Elétrica”, “Boa Noite São Paulo”, “Dance, Dance, Dance” e “Amor Distante”.

>> Fazia muito tempo que eu não ia tanto ao cinema! Para começar, assisti com as roomies àquele muito recomendado “A Chegada”, com a Amy Adams. O filme conta a velha história das naves alienígenas que aterrisam na Terra, mas dessa vez sem a pegada bélica e apocalíptica de outras produções do gênero. Ainda que um pouco cafona em suas conclusões, o roteiro foca na questão da linguagem, do signo e da comunicação, o que me deixou pirando em insights por um par de dias. Acho que vale a pena ver sim!

No mês passado, a Babi começou a trabalhar no Cinesesc. Agora, sempre que um post maneiro com a programação de lá despontar na sua timeline, vocês já sabem quem é que está por trás do perfil oficial. Contei essa novidade para falar que estou bem mais por dentro dos filmes exibidos na unidade, que fica ali na Rua Augusta. A prova é que consegui conferir três das produções da mostra “Retrospectiva do Cinema Brasileiro”, que ocorreu no Cinesc durante o mês de dezembro inteirinho.

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“A Chegada”, “Califórnia”, “Mãe Só Há Uma” e “Trago Comigo” foram os filmes que eu vi em dezembro

A primeira foi “Califórnia”, de Marina Person, que parece feito na medida para a minha paixão pelo David Bowie. O filme é um pedaço de nostalgia que usa a música (<3) para falar de temas pesados, como a AIDS, e sobre o período de descobertas da adolescência. Curti bastante! Da Anna Muylaert, a diretora de “Que Horas Ela Volta?”, mais um filme sobre a maternidade. Ou quase isso. Em “Mãe Só Há Uma”, assistimos ao caso do sequestro de um bebê, que retorna ao lar e precisa se adaptar à nova família. Spoiler: é bem melhor que a nossa antiga aposta para o Oscar! De todos os filmes, “Trago Comigo”, de Tata Amaral, foi o que menos me disse alguma coisa. O enredo traz Carlos Alberto Riccelli no papel de um diretor de teatro que costura uma nova peça com fragmentos de suas memórias da época da ditadura militar. Apesar de alguns momentos levantarem boas discussões sobre o período, achei que a narrativa do filme – muito novelesca, diga-se – quis apenas chocar.

>> Para o desespero das minhas 8 horas diárias de sono – a lenda –, dei folga para o Netflix e caí em algumas noites de dezembro. Na primeira delas, frustração. Já havia frequentado algumas vezes a festa Girls, quando ela acontecia no Bar Secreto. Na última edição de 2016, a produção mudou a balada para um local secreto. O resultado foi que além de afastado, o antigo depósito escolhido acabou sendo um espaço bem maior do que o número de participantes, o que deixou a impressão de um vazio que não tinha nada de existencial. Mas uma outra falha é que foi imperdoável: festas que não tocam Shakira precisam deixar de existir. Para a minha sorte, a festa secreta do Sesc à qual participei dois dias depois supriu toda a minha necessidade de tropicalidades.

No dia 9 de dezembro, descobri que, no final das contas, a canadense Allie X não é uma imagem em GIF. Embora tenha nascido na internet, como os memes nossos de cada dia, a cantora me provou que a sua versão em carne e osso é uma força a ser reconhecida. Em seu primeiro show aqui em São Paulo, Allie realizou uma apresentação curta, de cerca de uma hora, no Teatro Mars. No palco, uma banda enxuta e uma par de manequins fantasiados dividiram espaço com uma performance extremamente teatral, com vocais poderosos e dancinhas que não deveriam nada aos primeiros concertos da Lady Gaga. Saí de lá satisfeito por ter um xizinho tatuado no meu braço!

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Fui na festa “Girls”, no show da Allie X e no bar Kraut, na Santa Cecília

Em alemão, Kraut significa repolho. Alí na Santa Cecília, é o nome de um novo bar com proposta de cardápio com comidinhas da Alemanha, como os famosos schnitzels (na prática, um empanado) com opções para carnívoros e vegetarianos. Visitei o lugar com a Bia, a Pastore, o Ciscati, a Karin e o Thiago durante um dia de semana e gostei muito do atendimento, da comida e do ambiente. Composta por um design minimalista e funcional, a decoração consiste em um grande balcão com bancos altos no centro do bar, além de mesinhas para grupos de duas e quatro pessoas. Do lado de fora, uma playlist indie é a trilha de quem prefere bater um papo ao ar livre. A melhor parte? Bar alemão com o drink “7×1”. Todo o meu respeito!

>> Já no finzinho do ano, participei do Pré-Natal na casa do Ciscati, da Marina e da Nana. Aproveitei para encontrar vários colegas que eu não via há décadas e também para comer uma das melhores farofas de 2016 (obrigado, Karin)! Nada supera, entretanto, a oportunidade de presenciar a Tamara dançando Fifth (Fourth?) Harmony vestida com o boné do mascote Fuleco. O melhor do Brasil são os amigos brasileiros!

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>> Para terminar, uma ótima notícia: 2016 teve um fim! E esses últimos suspiros eu passei no Paraná, junto com a minha família. Foram quase dez dias do mais puro, verdadeiro e necessário ócio. Dormi, descansei e li bastante. Ou seja, tudo o que não deu para fazer nos outros meses do ano. Não tirei tantas fotos de lá porque não tava no clima. Este está sendo um período de uma intensa transição pra gente, e eu não queria que fossem essas as nossas memórias em papel. Logo, tudo vai ficar bem, e vai faltar até espaço na câmera de tanto clique que eu vou fazer das pessoas que eu mais amo.

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Minha família <3

2017 começou! Estou dedicando esse comecinho de nova fase para cuidar mais de mim, definir o que é importante, por um ponto nas questões mal resolvidas e colocar ordem na casa. Agora já tenho cortina (brigado, mãe) e ainda mais vontade de fazer as coisas que me deixam bem, como escrever aqui no blog. Vambora?

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2 Comentários

  • Responder
    babi
    19 de janeiro de 2017 at 19:35

    só faltou o cartão niilista de natal.

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